domingo, 27 de julho de 2014

Once Upon a Time......

Estávamos em Dezembro. Uma rapariga linda e inteligente, com grandes olhos verdes, foi com os seus amigos festejar o fim-de-ano. 

Infelizmente, a certa altura, ela e a melhor amiga descobriram que havia uma cobra venenosa no seu círculo de amigos e resolveram mandá-la embora para todo o sempre. Esse suposto amigo, bastante enraivecido, saiu porta fora e coincidência ou não, nessa mesma hora, um Tornado passou e devastou toda a Cidade

Quando a nossa heroína acordou, viu que a situação já se havia acalmado e deparou-se com um rapaz, cujos olhos eram igualmente muito bonitos, a tentar ajudá-la. Foi amor à primeira vista. Ele ficou encantado, e ela também. De tal forma que, quando ele lhe perguntou: "Queres vir comigo para a minha Aldeia?" Ela foi incapaz de recusar. 

E assim seguiram os dois, bem juntinhos, para a Aldeia do Sopeiral. 

Tratava-se de uma Aldeia extraordinária! Única. E agora perguntam vocês: "Porque é ela tão extraordinária?" Pois bem. Nessa Aldeia, podia-se subir para baixo e descer para cima. Para além disso, toda a gente prestava culto sagrado ao Clube local, onde se faziam coisas ainda mais extraordinárias. Era possível andar de motorizada sem pôr as rodas no chão, e dançar Kizomba sem mexer os pés. A rapariga detestava tais coisas, mas a paixão toldava-lhe o raciocínio.

O rapaz acabou por levar a rapariga ao Clube. À sua espera estava já uma panela gigante, cheia de ossos de porco bem temperados. Por mais estranho que fosse, e por mais que se enfardasse naquela magnífica Aldeia, a dita panela estava sempre cheia e a ferver. Para beber, um barril de cerveja igualmente gigante. O Clube estava sempre ao rubro.

A rapariga pensou que, talvez a meio da noite, as pessoas organizadas por turnos fossem de pijama abastecer a panela e o barril, de forma a garantir que nunca, mas mesmo nunca, se acabavam.

Todas estas coisas maravilhosas aconteciam porque a Aldeia era governada pela Bruxa Sopeira que via tudo, e sabia mais ainda! 

O rapaz era filho da Bruxa, (o que assustou tremendamente a rapariga) e por isso todos os Aldeões lhe prestavam vassalagem. Achava ele então, que era o melhor partido para qualquer jovem, e que era um privilégio namorar com ele. Havia imensas fãs. Havia tantas, mas tantas, que era urgentíssimo fugirem dali para fora. Tinham de abandonar a Aldeia rapidamente. O rapaz disse à rapariga que tinha uma Autocaravana de luxo, que podiam fugir e viver na mesma, e nunca mais voltar. A rapariga apaixonada aceitou, sem pensar duas vezes.

A história podia até ter acabado bem, não fosse a Bruxa Sopeira, que via tudo e sabia mais ainda, ter visto também os dois amantes apaixonados a abandonar a Aldeia.

Juntamente com todos os Aldeões, armados de  forquilhas,  a Bruxa Sopeira, de rolo da massa na mão, correu atrás, impedindo a Autocaravana de prosseguir, e gritando: " Parem! A Autocaravana é minha! Expulsem a intrusa! Ela veste de preto!"

O encanto quebrou-se, até porque a rapariga percebeu que a Autocaravana nem sequer era do rapaz, e que ele era um tremendo gabarolas! 

Depois de ver tais coisas, a rapariga não queria mais fugir, nem namorar com o rapaz. Ele ficou muito zangado. Afinal ele era o cacique da Aldeira do Sopeiral! Aldeia essa onde se podia subir para baixo, e descer para cima.

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